Teste Phantom 400 HT: navegamos a mais de 45 nós na versão com três motores de popa

Por Guilherme Kodja

01/02/2022


Sempre inovando e surpreendendo positivamente, o estaleiro catarinense Schaefer Yachts — que já se transformou em uma marca mundial, com várias unidades exportadas de seus 14 modelos de lanchas, de 30 a 83 pés — apresentou uma nova versão de sua já elogiadíssima 40 pés com hard top: a Phantom 400 equipada com motorização de popa, e, no caso, nada menos que três V8 4,6 litros de 300 hp cada uma. Sim, de popa.


Além de trazer todo um pacote premium de novidades — como o design moderníssimo nas janelas (que ficaram maiores que as da Phantom 400 tradicional), da tomada de ar atualizada e do hard-top com teto solar de acionamento elétrico — ela tem um perfil mais esportivo e vem equipada com três motores de popa de 300 hp cada, com os quais traz a promessa — devidamente cumprida — de grande performance, sem roubar espaço de bordo nem criar calado.

Para quem procura uma 40 pés que combine o desempenho a ótimas instalações internas, está aí uma excelente opção. A configuração interna original da Phantom 400, com ambientes muito bem bolados, não mudou, manteve seu enorme espaço e layout de socialização e, apenas, tomou um pequeno pedaço da plataforma de popa para arranjar as máquinas que a tornaram uma verdadeira esportiva.



Um de seus pontos altos é a divisão interna. A cabine tem duas boas suítes (a principal, na proa, divide o banheiro com a sala) e agrada especialmente pela sala, em cujo teto há uma gaiuta que deixa entrar luz natural a bordo e ainda ajuda na ventilação. Além disso, tanto o casco como o convés são laminados por infusão a vácuo, o que significa menos peso e maior resistência, e a lancha sai de fábrica muito bem equipada — gerador, ar-condicionado, flaps e aquecedor de água, entre outros itens.

Mas é mesmo na popa, com a instalação do trio de motores (cada um com seu tanque de combustível específico), que ela mais chama atenção. Essa opção tem tudo a ver com o foco da Schaefer Yachts em vendas para o mercado internacional, especialmente para os Estados Unidos, onde os motores de popa — cada vez mais avançados, têm grande aceitação.



Eficientes, os propulsores de popa são mais baratos que os de centro, exigem pouca manutenção e, como suas rabetas podem ser erguidas, permitem navegar em águas rasas. Além disso, deixam a área operacional sob o cockpit muito mais espaçoso. Sua principal desvantagem é que só existem modelos a gasolina, não a diesel. Há quem torça o nariz para o espaço que “roubam” da plataforma de popa (local dos mais desejados pelos brasileiros), mas há formas de minimizar isso e a Schaefer Yachts foi bem nesse aspecto também.

Com lançamentos como esse — que exigem muito investimento —, o estaleiro reforça sua imagem de empresa inovadora e mostra que sua engrenagem não parou de girar. Pelo contrário. Apesar da pandemia, que atrasou projetos e afetou os mais diversos mercados, continuou vendendo de forma consistente no Brasil e exportando cada vez mais embarcações. Por conta disso, a Schaefer Yachts acabou por acelerar seus planos e a Phantom 400, pelos números e forma que navegou, deveria ganhar o sobrenome Sport, é uma prova disso.




A Phantom 400 é uma lancha para até 14 pessoas fazerem cruzeiros costeiros, sendo que cinco podem dormir a bordo, já que possui uma boa cabine, com 1,80 m de altura e ótimos espaços de camas e convivência social. Lá dentro, há duas suítes e uma cozinha (com fogão por indução de duas bocas, micro-ondas, armários e uma pequena geladeira) de frente para a sala com tv, formando um ambiente integrado, claro e muito agradável, por conta da iluminação e da ventilação naturais, por vigias, das janelas e de uma gaiuta no teto da sala.

A suíte de hóspedes, com 1,78 m de altura na entrada e uma cama com 2,50 m (sim, quase três metros de colchão!) x 1,55 m, fica a meia nau, ocupando a boca máxima da lancha. O banheiro que a serve é menor, com uma entrada com porta estreita e baixa, de apenas 1,56m de altura, mas no seu interior, 1,75m de pé-direito. É no seu segmento o único modelo com duas suítes, por isso o que seria normalmente uma crítica quanto ao banheiro ser pequeno ou o acesso baixo, é na verdade um elogio, pois é de fato um banheiro utilizável e ajuda a formar a segunda suíte, o que numa 40 pés, é admirável.





Já a suíte máster, na proa, com 1,85 m de altura, tem uma cama de casal um pouco menor (1,87 m x 1,50 m), mas em compensação dispõe de muitos armários e prateleiras, de uma tv de 26 polegadas, de ar-condicionado independente, de tomadas, sensores de alarme de incêndio e monóxido de carbono (itens que se distribuem por todo o barco), janelas, vigias e um ótimo banheiro com box fechado, pia com misturador de água quente e fria e boa ventilação natural.

No cockpit, destaque para os sofás distribuídos em formato circular, que criam uma clara divisão com o posto de comando, sem prejudicar a comunicação entre os ambientes. Na área de apoio, há uma geleira com placa refrigerada, uma cristaleira, uma lixeira de bom tamanho, porta-garrafas, muitos porta-copos e uma peça que serve como porta-aperitivo.

O pé-direito sob o HT é de 2,05 m. Ao lado do posto de comando, sob o teto solar, há uma gostosa espreguiçadeira, para banhos de sol quando o teto solar estiver aberto, além de um providencial nicho para a colocação do celular e pequenos objetos que não devem ficar largados no barco.





O posto de pilotagem tem banco duplo, rebatível, de duas posições, com bom apoio para a lombar, embora o encosto seja um pouco baixo, por opção do projetista, por uma questão de estética. Os manetes de comando estão totalmente à mão, ao mesmo tempo em que o painel tem uma excelente inclinação, favorecendo a leitura dos instrumentos pelo piloto.

O barco testado estava equipado com duas telas Raymarine Axiom 9, mas uma embarcação com essa categoria mereceria a instalação duas telas Raymarine Axiom 12 ou 16. Vale ressaltar também a posição do controle dos flapes (com mostrador, o que é importante), da bússola, do rádio vhf e dos demais botões: guincho, teto solar, luzes de navegação, paralelo de bateria, controle do som e ajuste farol de busca.



O volante é esportivo, um Isotta importado da Itália, e o para-brisa, convexo, de folha única, acompanha o layout esportivo da lancha, formando um belo conjunto. Mesmo sentado, o piloto tem uma boa visão para navegar, embora a melhor posição para pilotar seja em pé, com o teto solar aberto. O limpador de para-brisa, com esguicho, é bem reforçado, porém único, com dois braços de acionamento das palhetas.

Na proa, a configuração é a tradicional para esse tipo de barco, com solário, cunhos de excelente tamanho, um guarda-mancebo alto e firme e a área operacional — o paiol de âncora tem trava e mangueira de água para lavar a corrente e a âncora quando se fundeia em fundos de lama, por exemplo. Mas chama atenção o bom aproveitamento do espaço, tanto do comprimento como da largura do casco (que chega a 3,88 metros).




O projetista utilizou praticamente toda área disponível para a instalação do solário, que tem encosto reclinável, formando uma espécie de poltrona, e é ladeado por dois porta-copos, dois porta-garrafas e dois pega-mãos. Além disso, em vez de uma, acrescentou duas ótimas gaiutas para a ventilação da suíte máster e da sala do deque inferior.

As passagens laterais de acesso à proa são bem largas. Tudo em nome do conforto e da segurança. O acesso à casa de máquinas — quer dizer, ao porão operacional dessa lancha, já que a motorização é de popa — é feito pela praça de popa. O espaço lá dentro é excelente, facilitando o acesso ao banco de baterias, ao gerador, às chaves manuais de baterias, aos relés de entrada de energia, ao boiler e aos três tanques de inox de gasolina, um para cada um dos motores.



O padrão das instalações é muito bom, feito com material específico para uso náutico, tudo “canaletado” e etiquetado, sendo que a parte elétrica usa cabos estanhados certificados, identificados e com terminais prensados, como devem ser. Dá gosto de ver. Importante destacar também que o acabamento da Phantom 400 é primoroso em todas as instalações, tanto na cabine como no cockpit, assim como a qualidade das ferragens, de inox 316 L.

Por sua vez, a plataforma de popa, com 1,75 m de comprimento nos segmentos mais longos próximos aos bordos e 0,90 na área central e excelentes 3,57 m de largura, tem ótima comunicação com o cockpit, mas teve de ceder algum espaço para o trio de motores.

Ainda assim, o estaleiro usou de forma inteligente essa área, com a instalação de uma cobertura estendida que permite usufruir confortavelmente do espaço gourmet, além da abertura das duas passagens laterais que dão acesso à proa e à praça de popa. Outra novidade é a escada (de quatro degraus, com antiderrapante) virada para um dos bordos, e não para trás, como nas lanchas com motor de centro-rabeta.



Opcionalmente, é possível instalar um grande toldo, já com estrutura própria, e fechar todo o cockpit. Ainda na parte de trás do barco estão instalados os três bocais dos tanques de gasolina (um para cada motor, somando 1050 litros de combustível), a tomada de cais, um chuveirinho com água quente e fria, os corta-combustível e o bocal de combustível do gerador, que é a diesel.

Enfim, a nova Phantom 400 tem tudo o que se pode esperar de um barco que é certificado para exportação, principalmente para os Estados Unidos, país onde os órgãos regulatórios são mais exigentes.



Como navega

Levamos a nova Phantom 400 para as águas da Baía Norte, em Florianópolis, em um dia de tempo instável. A bordo, três pessoas, 450 litros de combustível e cerca de 125 litros de água. Estava equipada com três motores de popa Mercury Verado V8, de 300 hp cada. Sim, nada menos que 900 hp, potência de sobra para empurrar o barco, que desloca quase 10 toneladas.

Mas, será que tal motorização não desequilibra o barco, por conta da concentração de peso na popa? Nada disso. No nosso teste, a 40 pés da Schaefer Yachts se mostrou muito equilibrada. Seu casco apresentou excelente estabilidade, cortando as próprias ondulações e as marolas de outros barcos com suavidade e precisão no timão (mantendo-se o tempo todo seca), — como se sabe, motores de popa, que se alimentam de gasolina e pedem altas rotações, costumam responder mais rápido aos manetes, permitindo enorme controle das manobras, e, neste caso, com controle por joystick, mesmo nas manobras de atracação.

Mas antes de falar do desempenho em si, importante destacar a posição de pilotagem, adequada, com boa visão à proa e excelente ergonomia. Mesmo o encosto do banco do piloto uma pouco mais baixo não afetou a sensação de esportividade e prazer de acelerar esta 40 pés super motorizada. Telas de fácil acesso, manetes à mão e com apoio para o braço e janelas laterais enormes. Assim foi empolgante acelerar o barco acima dos 45 nós!

A motorização de popa surpreendeu positivamente. Fácil de manobrar e respondendo prontamente aos comandos, no teste de aceleração, a Phantom 400 levou apenas 6,5 segundos para ir do zero aos 20 nós. Sim, uma marca esportiva. Trimando um pouco, para sentir o comportamento do conjunto, com praticamente metade dos tanques de combustível, o casco sobe um pouquinho.

Mas basta corrigir nos flapes, em torno de 25%, que a lancha rapidamente ajusta posição e baixa a proa, num perfil balanceado e confortável de linha d’água. Retirado o flapes, e sem nenhum trim, ela superou a marca dos 41 nós aos 5600 rpm.

Usando o indicador do fabricante, alinhando as rabetas os motores atingiram praticamente a rotação máxima do manual, batendo 5900 rpm, e a velocidade final das passagens de medição foi de 45,4 nós, praticamente sem alteração de consumo em relação à marca de 41,2 nós.

Já a velocidade de cruzeiro, a 4500 rpm, ficou em 32,5 nós, veloz e confortável. Mérito do casco, que tem 17,4 graus de V na popa, o que lhe confere agilidade, boa adernada em curvas fechadas e, ao mesmo tempo, firmeza para cruzar ondulação, especialmente em mar picado pelos conhecidos ventos vespertinos da região sul e sudeste. Além, é claro, do poderosíssimo trio de motores de 300 hp cada.




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